VENDE-SE UM CANTOR GOSPEL

“Na multiplicação do teu comércio, se encheu o teu interior de violência, e pecaste; pelo que te lançarei, profanado, fora do monte de Deus e te farei perecer, ó querubim da guarda, em meio ao brilho das pedras.”

Ezequiel 28:16

Eles estão por toda a parte e são fáceis de achar. Para todos os gostos e estilos, são capazes de trazer entretenimento a todo o tipo de pessoa ou culto, quer tradicional ou pentecostal. Contextualizados e treinados nos “chavões” e no “evangeliques” convincente, eles contagiam de maneira eletrizante as multidões e são capazes de envolver a muitos numa atmosfera religiosa em nome de Deus. Para contratar os seus serviços não é tão simples assim, requer o cumprimento de uma gama de exigências, procedimentos inimagináveis que contando é impossível de se acreditar. Grandes somas em dinheiro, toalhas brancas, carros conversíveis ou limusines, hotéis do mais alto padrão e numero exigido em cada culto para que a audiência não seja medíocre, são algumas das exigências solicitadas (não generalizando) por grande parte deles. Num resumo bem rápido, é este o perfil dos cantores “gospel” que perfazem nosso cenário musical evangélico do Brasil.

Conheci o meio da musica cristã em tempos remotos, lá pelo final da década de 70 e início da de 80, através de um cara magro, camisa semi-aberta mostrando o peito cabeludo, com uma única mochila nas costa e um violão: Janires era o nome dele. Este veio a ser mais tarde um dos meus mentores e também meu padrinho da casamento. Líder do Rebanhão, toda a semana eu viajava com ele para as maiores aventuras que já vivi na vida em termos de evangelização comprometida com o Reino de Deus. Saiamos à noite em cima de um caminhão cheio de caixas de som rumo aos teatros do Rio de Janeiro para fazermos um culto. O que eu fazia? Eu era o carregador de caixas, põe no caminhão, desce do caminhão…Eu fazia isso muito feliz. Janires e o Rebanhão juntamente com Helena Brandão (ex Darlene Glória) iam aos teatros falar do amor de Deus não só para o povo mais simples, mas, principalmente artistas. Na platéia vi muitas vezes artistas renomados chorando ao ouvir a musica e também o forte testemunho daquela mulher. Eu chorava também! Num canto do auditório, às vezes na penumbra, ficava imaginando se algum dia teria a oportunidade de fazer aquilo através da musica, falando do amor de Deus, e constatar muitos se entregando ao Senhor Jesus através do meu testemunho e da manifestação do Senhor Jesus usando a minha vida. Janires morreu! O “pão com mortadela” (nossa janta muitas vezes), a boleia do caminhão, as caixas de som JBL pesadíssimas,… Tudo isso se passou mais algo ficou gravado com fogo dentro de mim, o forte testemunho daquele homem de Deus somente com as suas atitudes. Todas as vezes que olhei para Janires, vi que ele não se preocupava com nada para si, as pessoas a sua volta vinham em primeiro lugar. Ao conversar com ele, você sentia a enorme gratidão dele pela salvação de sua vida dada pelo nosso Deus, e por isso ele não parava de pregar esta maravilhosa salvação e graça sem requerer nada em troca. Sem casa para morar e muitas vezes dormindo lá em minha casa, sem sequer saber o que, e como, iria almoçar ou jantar no dia seguinte, ele foi para mim um grande exemplo de total dependência, compromisso e sinceridade no servir ao Senhor. Sem comprometimento com os homens, somente com Deus.

Percebeu o contraste? Entendeu qual o sentimento que habitava no coração de alguns dos principais iniciantes da musica evangélica em nosso país? O combustível e a motivação era o amor. Ministério não é negócio, não é emprego! Não se negocia não se vende não se troca o Reino nem o dom que vem da parte de Deus! Coloquei o versículo de Ezequiel acima para alertar sobre a “multidão do comercio” à que o profeta se refere. A profecia contra o rei de Tiro do capitulo 28, e nada mais nada menos que direcionada ao próprio satanás, e porque ele negociou o que Deus lhe deu e caiu, pereceu. Sempre entendi e tenho muito temor a isso.

Não critico aqueles que recebem ofertas ou vendem os seus cd´s nos eventos, pois também faço isso para manter o ministério e também sustentar a minha família, mas transformar isso numa barganha, num mercado de venda do “quem dá mais”, na disputa do reconhecimento humano e da melhor performance afim de ganhar o mercado e assim obter maior lucro e status…Acho extremamente perigoso!

Continuarei guardando Senhor, a tua palavra em meu coração (Salmos 119:11) e também a imagem dos olhos, palavras e atitudes de Janires, e perseverarei (ainda que venha a ser o último) a viver sem me corromper sendo um eterno devedor e não vendedor, desta misericórdia maravilhosa que um dia também me alcançou.

Em Cristo, Pr. Marcos Góes

Fonte: marcosgoesoficial

banner
banner

Faça um comentário

Antes de comentar qualquer matéria leia as regras de utilização do blog (clique aqui). Qualquer comentário que violar as regras será automaticamente excluído